Salvador – a capital cultural

A capital baiana também conhecida como “capital da alegria”, famosa pelas suas festas carnavalescas também tem muitas outras coisas a oferecer.  A cidade é berço de grandes nomes no cenário artístico e também guarda patrimônios culturais.

Elevador Lacerda e Mercado modelo

Atualmente, Salvador tem investido mais no turismo reconhecendo o como importante atividade para a região mas ainda assim existem falhas e situações em que o turista pode não ficar muito a vontade. Vou contar a vocês hoje, caros leitores, a minha experiência como turista em Salvador.

Sorria, você está na Bahia!

Pelourinho

Bem vindo a Salvador, ou São Salvador da Bahia de Todos os Santos, nome de fundação da cidade que foi a primeira capital do Brasil Colonial. E a cidade ainda guarda muito dessa herança, podemos observar isso caminhando pelo Centro Histórico onde alguns monumentos construídos neste período continuam preservados. Segundo o site do Governo do Estado da Bahia, somente no Pelourinho existem mais de 800 casarões dos séculos 17 e 18, e isto valoriza o patrimônio arquitetônico.

Mas não é só isso que você verá em Salvador, a cidade possui famosas praias, cantadas em letras de belas canções, exaltadas na mídia como as de Itapõa, dos Artistas e da Barra. As praias atraem tanto habitantes locais como turistas, especialmente pela agradável temperatura da água, e por falar em temperatura esta é praticamente constante ao longo do ano, clima quente e úmido. Alguns meses como abril e maio, historicamente, trazem os maiores índices de precipitações, chuvas praticamente diárias mas que não impedem o sol de brilhar logo em seguida e o calor se mantém.

Deliciosa Moqueca no restaurante Yemanjá

Quer mais? A gastronomia também é notável:  pratos com frutos do mar nos mais diversos restaurantes e os tabuleiros das baianas com acarajés e cocadas são apenas alguns exemplos.

Mas infelizmente, apesar de ser a segunda capital mais rica do Nordeste a cidade também sofre com grande desigualdade social, há tempos como todo o Brasil de maneira geral, mas com isso, vem os aspectos ruins como o turismo sexual, a violência e o crescimento desordenado (a cidade possui a nona maior concentração de favelas entre os municípios do Brasil, com 99 favelas).
Então, antes de sugerir um roteiro preciso contar algo, um tanto bizarro, que aconteceu comigo em Salvador. Fiquei hospedada aos arredores do Pelourinho e queria conhecer o dique do Tororó, onde estão as esculturas de orixás, dali até meu destino final é pouco mais de um quilometro de caminhada então decidi que assim faria, iria caminhando. Após descer uma ladeira passei por uma pequena praça onde havia uma dupla de policias (como vi em vários outros pontos) mas neste lugar os dois percebendo que eu iria subir a rua a nossa esquerda me abordaram e questionaram se eu era da cidade, se eu sabia onde estava indo e se eu já conhecia aquela área. Sendo as respostas negativas eles me alertaram que aquela rua a qual supostamente eu subiria é a região da cracolândia de Salvador, um local perigoso e que se eu seguisse minha caminhada provavelmente seria assaltada naquele local. Me orientaram a pegar um táxi e assim eu fiz.

Dicas

Resumindo, a história que contei é para relembrar a todos os visitantes que estamos numa grande capital brasileira e que, assim como a maioria delas, Salvador tem seus problemas de violência. Sendo assim, como turista, aí vai as dicas de ouro:
  • Carregue com você o mínimo possível de dinheiro e objetos de valores que possam chamar a atenção;
  •  Evite bolsas e sacolas abertas, se for caminhar prefira usar as “doleiras” aquelas pochetes que ficam presas ao corpo e por dentro da roupa.
  •  Não dê atenção a estranhos que tentam iniciar conversas nas ruas, oferecendo-se como guias ou dizendo-se vendedores.
  •  Prefira caminhar por lugares e ruas com maior movimento de pessoas.

Roteiro 5 dias em Salvador

Primeiro dia

Forte de Santo Antônio

Farol da Barra: a praia do farol da Barra é extensa de ondas fracas e recifes formando piscinas naturais na maré baixa e perfeita pra um mergulho (apropriada para banho) após uma boa caminhada no seu extenso calçadão. Aproveitar pra conhecer o Forte de Santo Antônio mais conhecido como Farol da Barra que também é cenário das comemorações na cidade. Pode se subir as escadarias espiraladas da torre de 22 metros de altura e conhecer toda a estrutura do farol, mas para isso é preciso pagar a entrada do museu Náutico. O faroleiro acende a luz ao pôr do sol e desliga ao amanhecer. Considerado o mais antigo farol da América, a obra é um marco turístico e histórico da Bahia. As visitas à torre do Farol e ao Museu Náutico acontecem de terça a domingo.

Praia do Farol da Barra

Na Avenida Oceânica aproveitamos pra escolher um dentre os muitos restaurantes badalados para comer um caranguejo (escolhi o Caranguejo do Farol).
Andando pelos arredores, pra quem gosta de um passeio bem urbano pode aproveitar e passar no Barra shopping.

 

Centro Histórico: ao fim do dia um passeio por uma parte do Pelourinho e Centro, passando pela Praça da Sé.  Nas proximidades do Terreiro de Jesus (uma praça no inicio do Pelourinho) é possível encontrar rodas de capoeira e baianas com seus tabuleiros. Ali alguns restaurante oferecem música ao vivo e até rodas de danças, muita animação nas noites. O escolhido por mim foi o Restaurante Mamabahia (Rua das Portas do Carmo, 21), a música era mais tranquila, MPB numa linda voz e violão, a entrada pedida foi um prato com pequenos acarajés acompanhados do vatapá, camarão e pimenta pra vc montar o seu, uma delícia. Seguindo o prato principal, Camarão do Pelô, servido dentro do coco verde, comemos primeiramente com os olhos.

Cachaças com infusões

Se você está nas redondezas do Terreiro de Jesus não pode deixar de passar no “O Cravinho” bar especializado em cachaças com infusões de sabores diferentes. O bar parece uma pequena taberna com os tonéis dispostos por todos os lados nas paredes, você pode experimentar e degustar pingas ali no local ou escolher as garrafas trabalhadas e encher com sua favorita pra levar pra casa ou presentear, e garanto é um ótimo presente pra quem curte. As minhas eleitas favoritas foram, a tradicional cravinho, feita com cravos (que dá o nome ao local), a com gengibre e a com maracujá.

Segundo dia

Dique do Tororó: Aqui você vai apreciar a vista para as oito grandes esculturas de Orixás sobre o espelho d´água, assinadas pelo artista plástico Tati Moreno, Após estas obras o Dique do Tororó recebeu título de novo cartão postal de Salvador, passando a ser um ponto turístico, e com policiamento mais intenso. Você pode ir pela manhã e aproveitar pra fazer uma caminhada ao redor do dique. Ressaltando que a experiência que tive e relatei anteriormente não foi no dique, mas no caminho até ele. Daqui ainda é possível avistar a Arena Fonte Nova, totalmente reformada para a Copa 2014. O dique fica na Av. Vasco da Gama.

Dique do Tororó

Elevador Lacerda: O Elevador Lacerda foi inaugurado em 1872 e com seus 72 metros de altura, é o meio mais fácil e original de circular entre a Cidade Alta e Cidade Baixa. Ele liga a Praça Thomé de Souza (parte alta) à Praça Cairu, onde fica o Mercado Modelo. Já um meio de transporte muito usado pelos trabalhadores da região e claro pelos turistas que querem ter a linda vista do alto e depois fazer umas comprinhas no Mercado Modelo.

Mercado Modelo

Mercado Modelo: O mercado, instalado na Praça Visconde de Cairu, foi erguido em 1861, mantém a arquitetura neoclássica original e foi tombado como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Além da feira do artesanato, tem como atrativo as rodas de capoeira que movimentam a parte de trás da construção. Dali, logo em frente é possível pegar um ônibus urbano que leva até a Igreja do Senhor do Bonfim.

Igreja Senhor do Bonfim

Igreja do Senhor do Bonfim: a igreja mais famosa de Salvador, devido a tradicional “Lavagem do Bonfim” ganhou um colorido interessante desde que os fiéis começaram a amarrar as fitinhas do Senhor do Bonfim na grade de entrada. Devido ao grande número de vendedores ambulantes na entrada da Igreja foi organizado uma cooperativa, os vendedores de fitinhas, colares e terços são agora credenciados e o assédio ao turista é um pouco menor que no Pelourinho ou na Praça Thomé de Souza, e há também policiamento local.  

Igreja do Senhor do Bonfim

Terceiro Dia

Praias: conhecer as praias do Norte (lado contrário à Baia de Todos os Santos, em direção ao aeroporto). Aqui boa extensão das praias é apropriada para banho, tem uma estrutura melhor com barracas de apoio. Eu optei por pegar um ônibus urbano que faz toda a beira mar, então é possível ir apreciando a vista e o estilo de cada praia, o meu destino final foi Itapõa e Farol de Itapoã. Mas foi possível ver um pouco das praias Armação, Ondina, Piatã. Também é possível chegar até Flamengo e Stella Maris, a última com boa estrutura para famílias.
Itapoã realmente é um cartão-postal: além do farol, tem águas verdes, pedras, coqueiros, piscinas naturais e areias claras.

Noite no Rio Vermelho: A praia de Rio Vermelho não é apropriada para banho mas é um point noturno, com muito bares e restaurante. Se você quer experimentar os quitutes preparados pelas baianas mais famosas da capital siga para o bairro do Rio Vermelho. No Largo de Santana, Dinda e Regina demarcaram seus territórios, aqui turistas e locais se reúnem para degustar a iguaria à base de vatapá e camarão seco, o mais famoso acarajé da Bahia.

Quarto dia

Praça Castro Alves

Praça Castro Alves: Neste dia o passeio começou pela Praça Castro Alves, desceu para a Cidade Baixa e retornou para o Terrerro de Jesus e foi descendo o Pelourinho, uma bela surpresa atrás da outra. Onde iniciei o passeio é um belo mirante para a bela Baía. O cenário também merece uma atenção para o monumento do escultor italiano Pasquale Di Chirico, feita em bronze e granito e que imortaliza o poeta Castro Alves.

Igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia: Descendo o elevador Lacerda seguindo para a esquerda da Avenida do Contorno avista se o Largo da Conceição da praia com a ampla igreja de frente para o mar. Pré-fabricada no Alentejo, em Portugal a igreja impressiona pela beleza, em especial a nave que traz uma pintura ilusionista do Mestre José Joaquim da Rocha, uma grande nome do barroco brasileiro.

 

Entrada Solar da Unhão

Solar da Unhão -Parque das esculturas

Solar da Unhão e Museu de arte moderna da Bahia: da Igreja é possível seguir caminhando até um dos mais belos conjuntos arquitetônico com vista para a Baía, às suas margens! O Solar da Unhão abriga o Museu de Arte Moderna da Bahia, o jardim foi transformado em Parque das Esculturas. Há também um restaurante com apresentações e sem dúvida é um ótimo local pra apreciar a Baía ou o pôr do sol. Não abre as segunda-feira.

Igreja e Convento de São Francisco

Convento de São Francisco

Igreja e Convento de São Francisco: de volta a cidade Alta seguindo sentido ao Pelourinho podemos visitar uma igreja cheia de brilho pelas centenas de quilos de ouro no seu interior. É um extraordinário monumento barroco erguido em 1723 e com possui uma bela imagem de São Pedro de Alcântara. O convento, que faz parte do complexo, tem o pátio interno com paredes revestidas de azulejos portugueses que reproduzem o nascimento de São Francisco. 

Pelourinho: prepare-se para assistir uma missa ao som de batuque na igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, às 18h. O agito continua com shows na Escadaria do Passo e no Terreiro de Jesus. 
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Terrero de Jesus – Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

Nos arredores do Pelourinho é constante o assédio dos vendedores ambulantes, oferecendo gratuitamente a fitinha do Bonfim e depois coagindo para compras de outros objetos, dica, arrume logo uma fita e a coloque em seu braço, no mercado modelo são vendidas uma grande quantidade delas num pacote bem baratinho.

Pelourinho

Quinto dia

Itaparica (ilha):  De ferryboat, partindo do Terminal de São Joaquim, numa travessia e 20 minutos, chega-se a maior ilha da Baía de Todos os Santos. A ilha conta com belas praias protegidas pela barreira de corais com águas calmas e ainda boa infra estrutura. Em boa parte das praias, durante a maré baixa, forma-se piscinas naturais. De brinde, tem-se uma bela vista de Salvador.
O passeio pode ser feito em um único dia, vai de manhã pra passar boa parte do dia, mas muitos guias dizem que pra aproveitar melhor e conhecer mais da ilha é necessário dormir uma noite, então se na sua viagem couber um passeio maior até Itaparica, aproveite!

Vista da Baía

Resumo de Viagem
Local: Salvador – BA
Principais Visitações: Praias, Pelourinho, Igrejas e Centro histórico, Solar da Unhão, Mercado Modelo, Elevador Lacerda, Dique do Tororó.
Parceiro de Viagem: Viajando sozinha
Fotografia: Taciana P Rocha
Ponto alto: Solar da Unhão é um passeio muito interessante, mais pela vista, vibração e beleza do local do que pelas exposições. E andar no Pelourinho é o básico bom da viagem.
Ponto baixo: sentir-se ameaçada e a insegurança em passear por certos locais, isso nunca será um ponto positivo e só atrapalha o turismo.
Duração: 5 dias
Ano: 2013 (março)
Adora praias? Quer mais dicas do nordeste ou do sul? Ou que tal fugir de praias e admirar cidades históricas? Tenho um pouco de cada pra você, visite outros artigos:

Nordeste: Fortaleza

Sul: Florianópolis

Cidade Histórica: Ouro Preto

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